Arquivo-X
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Nossa melhor desculpa para grudarmos na telinha

     Depois de termos sido "novelizados" pela "grande rede de televisão" - que eu não preciso citar, mas tenho certeza que todos sabem a qual me refiro - e pelas demais que seguiram a líder, em nome do que é chamado "dramaturgia brasileira" e da invasão dos "reality shows", onde famosos pagam micos grotescos e anônimos pagam outros maiores ainda, qual era a chance de termos uma série de qualidade no horário nobre? Que rede de televisão compraria os direitos de exibição de uma série decente, para vê-la humilhada pelo "talento" da máfia telenoveleira?
    Há algum tempo Arquivo-X está aí para furar o bloqueio. Desde os tempos de "Além da Imaginação", não tínhamos o prazer de assistir uma série tão maravilhosa e altamente viciante! Agora, ficamos contando os dias da semana até a hora bendita em que Arquivo-X entra no ar, e então, gozamos o prazer de nos deixarmos envolver pela sedução da narrativa, pela trama da história e pelo charme irresistível dos personagens.
     Rod Serling, criador de "Além da Imaginação", era nosso único ídolo nessa área - alguém é capaz de se lembrar de outro autor de séries de TV? - até surgir Chris Carter, que parece incorporar a mesma loucura criativa de Serling. Carter conhece - como Serling conhecia - os medos que habitam nosso consciente e inconsciente: seres mutantes, bestas apocalípticas, vírus mortais, criaturas mitológicas, seres extraterrestres, que não são piores ou mais nocivos que as pessoas "normais" das instituições governamentais que conhecem, a verdade e manipulam as informações. Somando o desempenho das personalidades de Mulder e Scully, esta humilde fã só tem a dizer que não havia como melhorar.
     Com relação aos personagens, acho fundamental citar que Danna Scully / Gillian Anderson é linda e fascinante. No início era baixinha e gordinha - tudo bem, ainda é baixinha, eh, eh - e mesmo assim se tornou símbolo sexual. Scully é absolutamente feminina e ao mesmo tempo machona como a tenente Ripley - Sigourney Weaver - de Alien. Fox Mulder / David Duchovny não lembra muito os heróis a que estamos acostumados, não é galã e não tem pinta de herói, o nome do ator também não ajuda muito - Duchovny parece nome de jogador da seleção da Bulgária. Mulder é meio largado e tem um nariz muito grande - mesmo assim é absolutamente lindo - mas, tem aqueles olhos puxadinhos e uma carinha de cachorrinho que caiu do caminhão de mudança, é extremamente inteligente, diplomado em psicologia em Oxford, e bem treinado. Mas sofre muita pressão e vive a beira do caos mental, nada sedutor.
     Acho muito curioso o fato de características típicas masculinas e femininas estarem invertidas nos dois. Enquanto Mulder é intuitivo e demonstra ter sexto sentido, Scully é extremamente prática, racional e também uma cética patológica. Ele é alto forte e másculo, mas também é frágil, um pouco depressivo e tem um semblante triste constante. Scully é pequena e delicada, mas também é uma fortaleza, não se abala jamais e ainda por cima é médica legista! Retalha cadáveres em putrefação - até mesmo grávida - e não dá chilique, a danada!
     O que também é legal de se ver, é que em tempos de liberação sexual, um casal tão íntimo quanto eles, sempre defendeu sua tão sagrada privacidade. Suas vidas pessoais, quase nunca foram enfocadas. Já me ocorreu o pensamento de que eles ficaram praticamente sete anos sem fazer sexo - he, he. A questão da possibilidade dos dois se apaixonarem nunca foi mencionada - mesmo com todas as crises de ciúmes vistas ao longo dos anos, sempre ficou bem claro que são apenas muito amigos - mas, eu sempre achei que a relação deles era de puro amor, cuidado e carinho. Agradeço muito a santa mão que impediu que continuassem colocando inibidor sexual ultra concentrado no café deles, tornando possível que toda essa ternura aflorasse. Agora é fato notório que os dois se amam, mas, sinceramente, acho que colocá-los se comportando feito o "Casal 20", iria simplesmente desmoraliza-los. Todos temos certeza que Chris Carter jamais faria isso e também, a gravidez da Scully foi o máximo da sua generosidade.
     A série no seu todo foi tão excelente, que não havia mesmo como ser melhorada, mesmo com a ausência do Agente Mulder, a mitologia não foi alterada. Muitos fãs debandaram com a saída dele - eu não consigo me imaginar abandonando Arquivo-X sobre hipótese alguma -, mas, Robert Patrick cumpriu seu papel brilhantemente como o Agente John Dogget. A oitava temporada foi uma das melhores, ver uma Scully mais flexível aconselhando seu novo parceiro a encarar os acontecimentos insólitos de mente aberta foi gratificante e em momento algum a série perdeu seu mistério. Mas, como a ação do tempo age sobre tudo, Arquivo-X está no fim. Como nós, eXcers de sangue ficaremos? Como será não ter mais nenhum mistério semanal para desvendar? Como será não ver mas Mulder e Scully e agora Dogget e Reys? O jeito é se contentar com as gravações e as lembranças dessa que foi e será sempre a maior série de todos os tempos.

Não se esqueça nunca que ...

A VERDADE ESTÁ LÁ FORA

Agente Cathrina M. Ryback

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